27 Dezembro 2009

Reformissão e evangelho integral


Por Leonardo Gonçalves


Vejo em nossos dias certa preocupação em alguns pastores – principalmente a liderança mais jovem – em estabelecer para o futuro uma igreja que entenda e respeite as diferenças culturais, promovendo um intercambio cultural sadio. A preocupação com os temas sociais também aumentou, e o eco de Lausanne ressoa timidamente no Brasil, com três décadas de atraso. Finalmente, visionários começam a enxergar a possibilidade de termos uma igreja que expresse o amor de Deus aos homens de forma plena, prática, integral.

Neste caminho, porém, há certos riscos que precisam ser evitados, para não cair na cilada de, neste afã por ser relevante, acabar assimilando tudo de ruim que o secularismo e o pós-modernismo gerou. Dentre os perigos que encontramos neste emocionante caminho, destaco alguns que são os mais comuns:



O perigo do relativismo


Talvez a maior mentira que a sociedade pós-moderna inventou, seja a idéia errada de que não existem verdades absolutas. Aliás, a própria afirmação de que “não há verdade” é uma contradição óbvia, pois quem afirma que não há verdade está dizendo que “a verdade é que não existe verdade!” Toda verdade é absoluta, e nem adianta torcer o nariz para isso, pois os seus (e os meus) sentimentos em relação à ela não poderão jamais modificá-la.

Quer a gente goste ou não, precisamos admitir uma coisa: O cristianismo é uma religião dogmática. Ele é absolutismo puro, e quem quiser negar isso tem que fazer as malas e partir para outra trincheira!

Jesus foi dogmático quanto ao conhecimento de Deus. “Ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o filho quiser revelar” (Mt 11.27). O homem pode espernear, teologizar o quanto quiser, filosofar, mas o conhecimento experimental/empírico de Deus sempre será uma verdade revelada. Tal conhecimento é um ato monérgico, obra da livre graça de Deus.

Jesus foi dogmático quanto ao caminho para chegar a Deus. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). O uso do artigo definido dá ainda mais peso a esta afirmação.

Muitos têm defendido a idéia de uma expiação universal, dizendo que “Deus vai salvar todo mundo, independente da sua crença”. É incrível como os crentes pós-modernos estão ficando semelhantes aos católicos de antigamente: “não importa o que você crê; o que vale é ser sincero”, dizem. Que mentira mais escrachada! E dita por um cristão, é ainda mais dissonante. Jesus disse que “estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida” (Mt 7.14), e quem não entrar por ela, por mais “bonzinho” que seja, não pode achar Deus.

Jesus foi dogmático quanto a natureza do pecado. “Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34). Para Jesus, o pecado não é um “vacilo”, e sim um vício escravizador! O inclusivismo, nova tendência teológica que apregoa a conivência com o pecado, é invencionice nossa. Todo pecado é contra Deus, e só é perdoado mediante confissão e arrependimento.

Jesus foi dogmático quanto à possibilidade do homem produzir sua própria salvação. “Ninguém pode vir a mim se o pai que me enviou não o trouxer” (Jo 6.44). Essa é uma afirmação absoluta, exclusiva, dogmática. Só Deus pode iniciar em nós a salvação, e qualquer outra fórmula no que tange a este aspecto é conversa fiada.

Não sacrifique as verdades absolutas do cristianismo no altar do relativismo religioso. Defenda com ousadia as verdades do evangelho, mesmo que isso não faça de você um “cara legal”. Não dá pra relativizar uma fé dogmática como o cristianismo. Ou bem aceitamos o que Cristo diz, ou então largamos mão de tudo em nome da “tolerância”.



O perigo do secularismo


Secularismo é uma cosmovisão baseada nos valores humanos. Dentro da religião, o secularismo é aquela influência doutrinal centralizada no homem, que se opõe diretamente aos conceitos estabelecidos por Deus. Segundo o coloquialismo “crente”, secularismo é o mesmo que mundanismo.

As correntes seculares sintetizam o conhecimento humano e baseiam nele todas as suas conclusões; o cristianismo, no entanto, depende da revelação. É fato que muitos cristãos, por medo de “contaminar-se” com as idéias de seu tempo, se afastam de todo conhecimento secular. Filosofia, psicologia, sociologia, todas estas ciências ainda são “coisa do capeta” para muitos evangélicos. Isso é um fanatismo burro! O conhecimento científico é importantíssimo, e de muitas formas podem servir de auxilio ao apologista cristão. Como diz Philip E. Johnson, “a bíblia bem compreendida e a ciência bem explicada, não são excludentes” (ad tempora). Contudo, precisamos ter sempre em mente que o nosso livro texto é a Bíblia. Muitos pregadores têm deixado a bíblia de lado, e hoje “pregam” segundo a cartilha humanista. Em cada mensagem, abordam as principais descobertas da ciência, enchem seus sermões com citações de textos acadêmicos, e acabam olvidando o mais importante, a Palavra de Deus.

Apesar da grande importância das ciências para a humanidade, ninguém vai ser salvo pela filosofia, pela psicologia e – entenda bem – nem pela teologia! A fé vem pela proclamação do evangelho (Rm 10.17). Arrependimento, fé e vida com Deus são pautas muito mais importantes do que qualquer epistemologia humana.



O perigo do liberalismo teológico

Outro grande erro no qual não se pode incorrer, é o de abraçar a teologia liberal. Muita gente ao ler isso vai me criticar, me chamar de quadrado, mas a experiência tem se encarregado de demonstrar que a maioria dos crentes que bajulam os teólogos liberais, não conhecem muito sobre o tema, e apenas repetem como papagaio aquilo que algum dia ouviram destes modernos discípulos dos saduceus.

Em termos práticos, o liberalismo teológico (para quem não o conhece) é uma corrente teológica que, no afã de alcançar relevância social, abriu mão de verdades inegociáveis do cristianismo. A teologia liberal se opõe, quase sempre frontal e preconceituosamente, a toda manifestação sobrenatural. Um dos maiores teólogos liberais que já existiu, Rudolph Bultmann, negou a veracidade dos milagres, interpretando-os apenas como narrativas míticas. Paul Tillich, aclamado por muitos modernistas como o maior teólogo de todos os tempos, dá a Deus uma conotação vaga e impessoal. Jesus, segundo sua cosmogonia liberal, possui apenas valor simbólico.

O mais engraçado, no entanto, é que esses caras foram movidos por um sentimento muito nobre. Assim como muitos jovens de hoje, eles queriam achar uma forma de relacionar a mensagem da Bíblia com as necessidades do homem moderno, mas acabaram se perdendo no caminho. Este liberalismo tem ressurgido em nossos dias, quase sempre embrulhado no pacote “emergente”. Brian McLaren, um dos porta-vozes do movimento de igrejas emergentes, é um exemplo prático do que estamos falando. Sua “Ortodoxia Generosa” é muito mais generosa que ortodoxa. Totalmente influenciado pelas tendências relativistas e pelo conceito pós-moderno de tolerância, este autor – talvez inconscientemente – tem prestado um grande desserviço ao cristianismo.



O perigo do politicismo



É claro que o cristão não deve ser uma criatura alienada. Apesar de termos uma identidade celestial, ainda estamos na terra, e com o nobre dever de ser sal e luz, influenciando e promovendo mudanças neste sistema decadente. A preocupação com temas políticos, bem como o descontentamento com a má distribuição de rendas e a necessidade de reformas sociais deve fazer parte da nossa agenda.

O grande perigo, porém, é que neste bom desejo de prestar um serviço ao mundo, os cristãos acabem cedendo a um romantismo político que não leva a lugar nenhum, abraçando a bandeira de movimentos socialistas e filosofias humanistas, como se a resposta para todos os nossos dramas sociais estivesse em um ajuste político, e nada mais.

Se no capitalismo o que prevalece é o homem explorando o homem, no socialismo é exatamente o contrário. [Se não entendeu a piada, sugiro que releia em voz alta a frase anterior] É verdade que milhares de pessoas vivem na miséria, marginalizadas, famintas, mas não é mediante acordos políticos, nem votando em candidato evangélico, que vamos solucionar esta equação. Ao invés de encher o congresso nacional de políticos crentes, vamos colocar uma mão no bolso e a outra na consciência, a fim de promovermos, nós mesmos, as mudanças que a sociedade precisa. Agindo assim, não teremos que ficar respondendo aos questionamentos dos incrédulos quando os nossos “homens de Deus” aderirem ao mensalão do Panetone, por exemplo.



O perigo do orgulho geracional

Quando eu era adolescente, tinha uma dificuldade enorme em aceitar os conselhos sábios dos meus pais. Apesar de estar consciente de que eles sabiam muito mais que eu, me recusava a crer que os conselhos deles pudessem ser aplicados aos meus problemas. Os tempos mudaram, eu dizia. Assim, suas asserções [por mais inteligentes que parecessem] eram rejeitadas no final.

Hoje em dia, vejo algo semelhante acontecendo com o cristianismo. Os modernos “descobridores da roda” podem ser vistos por todo lado, e como a maioria dos crentes pouco lê a bíblia (e muitos dos que lêem, o fazem com lentes relativistas/pós-modernistas), acabamos sendo presas fáceis destes teólogos de fundo que quintal.

Estes caras não estão muito preocupados com a herança do cristianismo histórico, nem com as interpretações sensatas dos pais da igreja, nem dos nossos irmãos reformadores. Em busca de uma nova espiritualidade, eles desprezam a herança pietista e reformada, e vão aprender a adorar com os santos católicos da idade média!

Adolescentes espirituais não gostam de ler a bíblia. A maioria deles jamais leu o Novo Testamento completo, mas estão absolutamente convictos de que “A Cabana” é o supra-sumo da revelação! Falta-nos bom senso e humildade para aprender com aqueles que no passado trilharam o mesmo caminho, reconhecendo e honrando estes homens e mulheres de fé.



Concluindo...


Atualmente, há muita coisa boa (e ruim!) sendo escrita neste sentido, o que nos dá a entender que há muita preocupação com a relevância da igreja. Comunidades emergentes têm levado este debate à sério, e algumas igrejas estão conseguindo contextualizar o evangelho sem comprometer a mensagem. A Mars Hill Church, comunidade emergente liderada por Mark Driscoll, é um claro exemplo do que estou falando. Cada vez mais me dou conta de que é possível ter uma igreja ao mesmo tempo bíblica e engajada, teológica e dinâmica, de fé e de obras.

Caminhemos, então, com muita calma, sempre fazendo uma autocrítica da nossa fé. A igreja pode (e deve), através de uma empolgada ação social, conferir dignidade àqueles que se encontram na miséria. Além disso, é nosso dever levar o evangelho para além das barreiras culturais, despojando-nos da linguagem do gueto gospel, acessível apenas para os “iniciados”. Podemos usar as artes de forma positiva, como ferramenta pedagógica, evangelística e inclusiva.

Finalmente, quero deixar um conselho aos emergentes brasileiros, principalmente aos jovens – a minha geração: “não rejeitem o velho apenas por ser velho, nem abracem o novo somente por ser novo”. Ambos, antigo e o novo, só têm valor quando se conformam à Verdade. Tenham cuidado com os “inventores da roda”! A busca de vocês é inteligente e nobre; o conceito de uma igreja “emergente” é necessário. Há muitas coisas que precisam ser reformadas, mas se essa nova reforma tomar o rumo errado agora, vai ser muito, mas muito difícil reencontrar os trilhos lá na frente.


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Postou Leonardo Gonçalves, no Púlpito Cristão e no Apologia do Cristianismo

29 Outubro 2009

Sobre os milagres

Por C. S. Lewis

Só conheci uma pessoa na minha vida que disse ter visto um fantasma. Era uma mulher; e o mais interessante é que ela, antes de ter visto o fantasma, disse que não acreditava na imortalidade da alma e, depois de o ter visto, continuava a não acreditar. Ela pensava que era uma alucinação. Noutras palavras, ver não é acreditar. É a primeira coisa que deve estar clara quando se fala em milagres. Qualquer que seja a experiência que tenhamos, não a vemos como sendo milagrosa se já confiamos numa filosofia que exclui o sobrenatural. Qualquer evento que reclamamos como milagre é, em última análise, uma experiência recebida pelos sentidos; e os sentidos não são infalíveis. Podemos sempre dizer que fomos vítimas de uma ilusão; se não acreditarmos no sobrenatural é o que diremos sempre. Assim, quer os milagres tenham cessado ou não, aparentemente cessaram no nosso mundo ocidental na medida em que o materialismo se tornou o credo popular. Pois não nos enganemos. Se o fim mundo nos aparecesse com os sinais literais do Apocalipse, se o materialista moderno visse com os seus próprios olhos os céus a desaparecerem e o grande trono branco a aparecer, se ele tivesse a sensação de ser lançado no lago de fogo, continuaria indefinidamente, no próprio lago, a ver a sua experiência como uma ilusão e a tentar encontrar uma explicação na psicanálise ou na patologia cerebral. A experiência por si só não prova nada. Se um homem duvida se está a sonhar ou acordado, nenhuma experiência pode resolver a sua dúvida, pois toda e qualquer experiência pode fazer parte do seu sonho. A experiência prova isto, ou isso, ou aquilo, de acordo com os nossos preconceitos.

A experiência de um milagre requer duas condições: primeiro temos que acreditar na estabilidade normal da Natureza, o que significa que reconhecemos que os dados oferecidos pelos nossos sentidos ocorrem em padrões regulares; segundo, temos que acreditar numa realidade para além da Natureza. Quando as duas crenças são sustentadas - e nunca antes disso - podemos abordar com uma mente aberta as várias narrativas que afirmam que esta realidade super ou extra natural tem, por vezes, invadido e incomodado o conteúdo sensível do espaço e do tempo que faz o nosso mundo "natural". A crença numa realidade sobrenatural não pode ser nem provada nem refutada pela experiência. Os argumentos para a sua existência são metafísicos e, quanto a mim, conclusivos. Eles realçam o facto de que mesmo que pensemos e ajamos no mundo natural temos igualmente que assumir que pertencemos parcialmente a esse "outro". E para pensar, temos que reivindicar, para o nosso próprio raciocínio, uma fundamentação que não é credível se o nosso pensamento for simplesmente uma função do cérebro e o nosso cérebro um simples produto de um processo físico irracional. E para agirmos, acima do nível do mero impulso, temos também de reivindicar uma fundamentação similar para a nossa capacidade de julgar entre o bem e o mal. Em ambos os casos obtemos o mesmo resultado inquietante: o conceito de "Natureza" em si mesmo é algo que atingimos tacitamente reivindicando uma espécie de estatuto sobrenatural de nós mesmos.



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LEWIS, C.S., Milagres, São Paulo: Editora Vida

28 Outubro 2009

Sou sincero naquilo que creio, logo, sou salvo

Porque é que Deus pede fé em Jesus para se ser salvo? Quase toda a gente está de acordo que o sentimento profundo de sinceridade deveria bastar. O que Deus quer mais que um coração sincero? É tudo o que um bom homem ou mulher quer na vida.

Ninguém aceita a sinceridade como suficiente em qualquer outro domínio sem ser a religião. Ela pode ser necessária, mas não é suficiente. É suficiente que o seu médico ou contabilista seja sincero? É a sinceridade uma condição única para evitar morrer de cancro ou ir à falência? Não é! Porque seria então diferente para salvá-lo do inferno?

A concepção moderna da religião difere bastante daquela que outrora era sustentada:

  • Modernamente vê-se a religião mais subjectivamente que objectivamente; como algo dentro de nós e na nossa consciência mais que algo dentro do qual nós e a nossa consciência estamos. Os modernos educadores religiosos falam menos de Deus do que das nossas experiências e práticas religiosas.
  • Modernamente vê-se a religião unicamente como prática e não como teórica; como boa e não como verdadeira; como moral e não como teológica; como um padrão de vida e não como um mapa da realidade. Ela torna-se, então, pragmática e relativa: se funciona contigo, usa-a.
  • Modernamente vê-se a religião como obra humana e não como obra divina; algo que criámos mais do que descobrimos; a nossa via para Deus mais do que a via de Deus para nós.
  • Modernamente vê-se a religião como uma adição mais do que uma subtracção; como um auto-crescimento mais do que uma auto-morte; um exercício mais do que uma cirurgia. Isto porque a mente moderna não acredita numa realidade chamada pecado.

No entanto:

  • A sinceridade subjectiva não é suficiente se estivermos a lidar com a realidade objectiva. Duas coisas são necessárias sempre que lidarmos com a verdade objectiva: temos de ser sinceros na busca da verdade, mas também temos realmente de a encontrar!
  • A sinceridade somente não chega para tornar um mapa verdadeiro e se um mapa não é verdadeiro é inútil.
  • A sinceridade somente não chega para encontrar a estrada que alguém fez, embora seja suficiente para lembrar-te daquela que tu próprio fizeste.
  • A sinceridade somente não chega para te livrar do pecado, assim como não chega para te curar de um cancro.. Precisas de um médico verdadeiro. Não podes fazê-lo sozinho. Como podes submeter-te à tua própria cirurgia? Assim como se caíres em areias movediças não é a tua sinceridade que te salva, mas alguém que te tire de lá. Precisas mais que a tua sinceridade. Precisas de um SALVADOR. A sinceridade é necessária para a salvação - somente os que sinceramente a buscam a encontram - mas não é suficiente.



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Fonte: Sempre Reformanda

25 Outubro 2009

O projeto exige um Projetista


Por por Kyle Butt, M.A.

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Isaac Newton foi um famoso matemático e cientista que cria firmemente em Deus. Conta-se que ele tinha um amigo ateu e que, desejoso de convencer seu amigo da existência de um Deus criador, elaborou um plano: Foi até a carpintaria e encomendou um modelo do sistema solar. Este modelo deveria ser uma réplica fiel do nosso sistema.

Várias semanas depois Sir Isaac recolheu o modelo na carpintaria, colocando-o no centro da mesa em sua casa, um lugar de destaque. Um dia, seu amigo ateu veio visitá-lo e ao chegar, ficou impressionado com a precisão daquela réplica. Foi logo perguntando se podia observar mais de perto, o que Isaac permitiu. Ele ficou grandemente admirado ao observar a singularidade de cada peça. Logo, perguntou a Isaac quem era o autor daquela maravilhosa réplica. Muito sábio, Isaac respondeu que a réplica não possuía um escultor e que ele aparecera em sua mesa por causalidade.

Confuso, o amigo ateu repetiu a pergunta, obtendo a mesma resposta: o modelo era produto do acaso, e havia surgido do nada. Quando o ateu pareceu estar enfadado, Isaac apresentou o propósito da sua resposta. “Se ele não podia convencer a seu amigo que aquela réplica ordinária do sistema solar havia surgido do nada, “por acidente”, como podia seu amigo crer que o sistema solar real, com toda sua complexidade e projeto, pode surgir da soma do tempo e do acaso?

Todo projeto demanda um projetista, e como exemplo, consideremos um órgão do corpo humano que nos remete ao Projetista.


O pensamento demanda projeto.

Dentro da sua cabeça se encontra um órgão que pesa cerca de 1,3 quilos. Os médicos que operam este órgão dizem que quando o tocam , sentem como se estivessem tocando uma massa de pão. Porém, este órgão que chamamos de cérebro é muito mais que uma mera massa de pão. Ao contrário, é o “computador” mais complexo e avançao que o mundo conheceu.

Nosso cérebro está composto de mais de 10 trilhões de células diferentes. Estas células trabalham em conjunto para enviar impulsos elétricos a uma velocidade de 439 quilômetros por hora. As células nervosas do corpo enviam 2 mil impulsos ao cérebro a cada segundo. Estes impulsos provém de 130 mil receptores de luz no olho, 100 mil receptores de som nos ouvidos, 3 mil na língua e mais de 500 mil provenientes do tato. Enquanto isso acontece, o cérebro não se move, mesmo consumindo mais de 25% do oxigênio do corpo e 20% do sangue que é bombeado pelo coração (o que é impressionante, uma vez que o cérebro representa apenas 2% do peso do corpo).

Se todas estas habilidades do cérebro não lhe impressionam, considere ainda o fato de que o cérebro funciona como “médico” para o resto do corpo, produzindo mais de 50 substâncias terapêuticas, desde analgésicos (como a endorfina) até antidepressivos (como serotonina). Adicionalmente, o cérebro permite memorizar palavras, fragrâncias, imagens e cores. Certamente, o cérebro faz um trabalho tão excelente ao ajudar uma pessoa a encontrar uma informação, que estima-se que seriam necessárias 500 enciclopédias para reunir toda informação encontrada nele.

Sejamos honestos: Se estivéssemos andando por um bosque e encontrássemos um notebook pesando menos de 1,3 quilos, desses comuns, capazes de fazer apenas as tarefas ordinárias como qualquer outro computador do mercado, será que seríamos capazes de simplesmente dizer que aquele computador surgiu por um “acidente”? Basta usar nossos cérebros para perceber que encontramos um projeto, e que o mesmo demanda a existência de um projetista.


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Traduzido por Leonardo Gonçalves, editor. Texto disponível no site Apologetic press, com versão em inglês e espanhol.


06 Outubro 2009

Cientista ateu defende o Inteligent Design


Bradley Monton é um ateu que é professor de Filosofia da Universidade do Colorado, em Boulder.

Trabalhando na área da filosofia da ciência, epistemologia probabilística, filosofia do tempo, e filosofia da religião, ele escreveu um livro (ainda não publicado) sobre o Design Inteligente.

No livro ele defende, entre outras coisas, que “é legítimo ver o design inteligente como ciência”, e que “o design inteligente deveria ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas”. Leia:


“A doutrina do design inteligente foi ostracizada pelos ateus, mas mesmo eu sendo um ateu, eu sou da opinião de que os argumentos a favor do design inteligente são mais fortes do que a maioria percebe. O objectivo deste livro é o de tentar fazer com que as pessoas levem a sério o design inteligente. Defendo que é legítimo ver o design inteligente como ciência, que há alguns argumentos plausíveis para a existência de um criador cósmico, e que o design inteligente deveria ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas"

“O livro está escrito de uma forma que pode cativar tanto professores como não-académicos. Prevejo que tanto os defensores como os opositores do design inteligente estarão interessados em lê-lo. Nele concordo com muito do que dizem os defensores do design inteligente -tentando ser intelectualmente honesto e dando crédito aos seus proponentes sempre que este é devido. Ao rejeitar os argumentos falaciosos contra o design inteligente, estou ajudando todos a compreender as questões e argumentos de forma mais clara. A longo prazo, isto é o que vai dar o maior apoio à causa da razão."

“Tanto quanto sei, ninguém publicou um livro como este nem está no processo de escrever um. Existe uma quantidade razoável de literatura hoje sobre ateísmo vs teísmo, e sobre os méritos do design inteligente, mas essa literatura se tornou como uma guerra entre dois campos, e o objectivo do meu livro é transcender isso."


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Fonte: Design Inteligente